sexta-feira, 3 julho, 2009

Suspeito saber dos deuses soberbos
o significado altaneiro, e sonho
assim ser isto tudo um jogo,
onde somos somente peças,
tendo o chão por baixo como tabuleiro.
Vamos vivendo movidos pelo desejo,
sempre insatisfeitos com o imperfeito,
para acabarmos vencidos pelo destino.
quarta-feira, 1 julho, 2009

Espera entre vários véus,
Envolta nas trevas da alcova,
A nudez da escrava virgem,
Escultura viva que move lenta
E de tanta volúpia desfalece,
Entoando silente ode à languidez.
Afunda graciosa entre as sedas,
Arqueia os seios do ar, que vibra
Em volta com a música leda.
Enquanto a mente frenética imagina,
Movendo-se em dança delirante,
Até que lhe caiam todos os véus
E venha a se tornar concubina.
domingo, 28 junho, 2009
Sou um exilado congênito. Apesar de não conhecer a dor de estar apartado do meu torrão, sinto intensamente o vazio sob as raizes hidropônicas. Sou como Odisseu, caso Penélope e Ítaca fossem apenas ficção: não há motivo certo para enfrentar as úmidas vias, mas estou sempre ansiando o sal. Existo sem causa sólida, sonhando sair desta ilha perdida, mesmo contra a ira dos deuses, para qualquer lugar que convenha à temporalidade.

sexta-feira, 26 junho, 2009
Somos um fenômeno peculiar, você e eu, vivendo nossas singulares e breves vidas. Delas fazendo a significação do infinito, como fractais pensando fazer parte do universo – multiparalelo para muito além de si, ultrapassamos a razão de ser. Mais que massas atômicas atuando sobre o mundo, respirando o ar, bebendo a água, esgotando a terra e ateando o fogo, podemos criar e destruir, sentir e esquecer. Vamos sobrevivendo até morrer, sabendo existir dentro das possibilidades concebíveis dos acontecimentos e escapando às constantes ameaças da destruição. Portanto, sejamos gratos por cada dia como se o tudo fosse simultaneamente único.
segunda-feira, 6 abril, 2009
A rua parece um rio, daqui de cima. Carros, motos e pessoas escorrem como água confluindo ao horizonte, cobertos pela névoa de fuligem. O burburinho da pressa coletiva e o calor da loucura enérgica podem confundir os sentimentos, embora o sentido da via permaneça perene. Salvo quando alguém resolve subi-la na contra-mão, pensando talvez ser salmão, a desovar sua vontade no caos do trânsito.